Publicado dia Abril 29, 2018

Eu tenho dois sérios problemas: sou extremamente sonhadora e tenho uma grande dificuldade de lidar com frustrações. Isso quer dizer que eu crio expectativas demais e como em noventa por cento do tempo elas não se concretizam, vem a frustração que pra mim parece pesar mais do que para qualquer outro. Não sei se é da minha personalidade ou se meus pais me disseram poucos “nãos” na infância, mas para mim é muito difícil lidar com a vida quando o plano não sai conforme o esperado.

Não posso reclamar também de ter uma vida ruim, longe disso. Eu me amo e amo a minha vida, sou muito grata por tudo o que tenho. Mas quando não consigo alcançar um objetivo, ah meu amigo, nem eu me suporto. Estou tentando trabalhar isso na terapia, mas é difícil mudar algo que parece que já está enraizado na gente.

Tento sonhar menos. Criar menos expectativas sobre o mundo, sobre a vida, sobre o filme do cinema, mas isso é difícil. Eu quero sempre mais, eu espero sempre mais.

Eu faço mais planos do que os coloco em ação. Fico extremamente irritada quando eles não dão certo – e eu não estou falando de grandes planejamentos apenas. Falo até de planejar onde eu vou sentar na mesa e alguém sentar primeiro (leia-se meu cunhado, que vive roubando o meu lugar). Isso me irrita, me estressa.

Meus sonhos sempre foram altos demais. Quando eu queria ser atriz, eu não queria “apenas” atuar nos palcos de Porto Alegre. Queria ser a protagonista da novela das nove. Queria ir no Faustão e ver minha mãe no arquivo confidencial. Eu pensava que se alguém fizesse a famigerada pergunta “você já imaginou que um dia chegaria onde chegou?” eu não poderia mentir, teria que dizer que sim. E que aliás ainda esperava muito mais.

Mas eu larguei o teatro e meu sonho agora é conseguir pagar minhas contas como criadora de conteúdo. Esse já é um sonho tão difícil que nem almejo enriquecer com o canal do youtube, só espero conseguir ganhar o suficiente para poder dizer que essa é minha profissão e não apenas um hobby. Mas, claro, é óbvio que já me imaginei em uma casa como a da Taci, ou morando nos EUA como a Bruna. Com altos contratos com a Salon Line. Mas estou tentando não deixar que esses pensamentos se tornem expectativas. Quem sabe um dia, mas por enquanto vamos focar no que é mais palpável e possível, pra não gerar mais uma grande frustração depois.

Que todas as expectativas se tornem ambições e todas as frustrações sejam grandes aprendizados.

Por Amanda Inácio


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