Publicado dia Abril 20, 2013

Você há de concordar comigo: não existe sensação melhor do que estar apaixonado. Todo o frenesi do primeiro estágio, a descoberta do sentimento que ensaia nascer até o momento em que a raiz já se espalhou por todo o nosso corpo – todas as borboletas inquilinas do nosso estômago, por todo coração acelerado: desenfreadas são as delícias de estar apaixonado!

Amar e ser correspondido, então, é a verdadeira dança de corações em festa. Eu, ainda inexperiente e filha de pais separados desde que consigo recordar, lembro de, ainda criança, perguntar à minha avó como ela conseguia viver tantos anos com o meu avô. Não era possível, para aquela criança, que duas pessoas conseguissem conviver por tanto tempo e ainda assim se amarem.

Amor, disse a minha avó, é para aqueles que têm coragem de enxergar além do felizes para sempre. Na época não entendi muito bem o que ela quis dizer, acenei com a cabeça e fingi ter entendido o segredo do Universo. No entanto, hoje, ao rever as fotos de família, o primeiro pensamento martelador foi a frase intrigante da boa velhinha. Amar é ter coragem de saber que nem tudo será flores, mas ainda assim mergulhar de cabeça em toda essa confusão.

Se ainda estivesse viva, visitaria hoje a minha avó só para concordar: amar alguém é amar também todos os seus defeitos. Você pode até achar esquisito, mas é verdade. A geração atual tem mania de querer mudar o outro, moldá-lo diariamente para que, no final, haja punhados de clones espalhados pela redondeza. Mal sabem os desavisados das delícias de se envolver com as diferenças. Estamos destreinados a conviver com seres dotados de suas próprias personalidades e esquecemos o quão fascinante e enriquecedora pode ser esta experiência. Defeitos, diria à minha avó, são a prova real de que ainda existe o amor.

Isso porque é muito fácil amar o galã de novela das oito, o ricaço e o Sr. Perfeição. Mas onde ficam os tiques, chiliques e trambiques? Mais uma novidade para você, que espera um conto de fadas do seu relacionamento: já se perguntou por que todas as estórias – novelas, comédias românticas ou contos de fadas – terminam com o casamento do casal perfeito? O que vem depois da festa?

Pois eu te digo o que vem depois. Depois é que vem o amor. O verdadeiro amor não tem hora para surgir, é verdade. Mas cria raízes com a convivência. Se fortalece nas provas que a vida impõe. Depois da grande festa vem aquilo que a princesa não conhecia. O príncipe, apesar de amá-la demais, também ronca de madrugada. Também repete aquela palavra que te incomoda, faz cosquinha quando você quer falar sério e faz as necessidades de porta aberta. O príncipe, apesar de ser um fofo contigo, não consegue se dar bem com a própria família. O príncipe te ama. Mas não é perfeito.

Portanto, vozinha, onde quer que você esteja, saiba que eu concordo contigo: o amor é para aqueles que têm coragem de enxergar além do felizes para sempre

Por Amanda Inácio


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