Publicado dia Março 19, 2013
Ultimamente parece que quanto mais chegamos ao futuro, mais olhamos para o passado. Parece que quanto mais coisas o celular faz, e quanto mais fina a televisão fica mais nos interessamos pelo que é retrô e vintage.
Por mais que a Era da Informática nos encante, que não consigamos viver sem o facebook e sejamos a geração “look at me!”, nos encantamos com os filtros retrô do instagram e amamos o estilo cinquentinha da Zooey Deschanel.
Minha mãe diz que na época dela não se pensava no passado, não se romantizava o passado. Romantizava-se o futuro, esperando que tudo fosse melhorar quanto o PT assumisse e os Estados Unidos tivessem um presidente negro. Era para frente que eles olhavam. Mas nós, por alguma razão, somos atraídos pelo passado. Temos uma câmera digital de última geração, mas o nosso atual sonho de consumo é uma analógica de 1976, Baixamos música no computador, mas nos derretemos ao ver um vinil antigo.
Me lembro que quando eu era criança a televisão lá de casa tinha a caixa de madeira, o rádio tocava vinis e fitas e não tínhamos telefone. O primeiro celular da minha família foi um que meu avô trouxe para o meu pai de Miami, eu devia ter uns sete anos. Telefone fixo veio muito tempo depois, quando a operadora resolveu instalar. Eu só fui conhecer a internet com doze anos, era discada fazia um barulho muito estranho para conectar e era impossível acessar no domingo.
Depois da fita cassete veio o CD e o sonho de todo mundo era ter um CD-player que era uma coisa enorme e ficava ridícula pendurada na cintura. Depois passamos a ouvir música em MP3 e hoje em dia é tudo com o celular. A televisão tinha uma bunda gigante, hoje além de ser super fina os aparelhos competem para ver quem tem a menor borda. Do computador passamos para o laptop que agora virou tablet. O mundo evoluiu muito e muito rápido.
Acho que é isso que nos dá essa sensação de saudade do passado. Olhamos para trás e vemos que não aproveitamos tudo o que tínhamos porque não tivemos tempo para isso. Não queremos arranjar um Delorian ou um vira-tempo e viver como antes, gostamos da nossa tecnologia e não conseguimos mais nos imaginar sem ela, mas não podemos negar que também amamos mandar cartas.
Por Amanda Inácio


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