Publicado dia Abril 5, 2018

Quem me acompanha há algum tempo já notou que eu sou meio camaleão. Gosto de mudar. Gosto da sensação de me olhar no espelho e não me reconhecer de imediato. De me assustar cada vez que encaro o novo corte de cabelo. Gosto do instante de euforia que tenho quando me reconheço em mim mesma nos primeiros dias depois de uma grande mudança.

Acontece que justamente por eu ser uma pessoa bastante mutável muitas pessoas acabam não me entendendo. Eu também não as compreendendo. Não consigo imaginar passar anos com o mesmo cabelo, a mesma maquiagem, as mesmas roupas… Sinto aflição só de pensar! Alguns dizem que ser assim significa ter a personalidade forte. Eu discordo. Não que eu ache que essas pessoas não tenham essa personalidade forte, mas dizer isso significa dizer que quem é mutável teria a personalidade fraca – e eu acredito que isso está longe de ser verdade. Gostar de mudanças não faz com que eu seja uma pessoa vazia e influenciável. Acredito que gostar de mudanças é justamente um aspecto forte de uma personalidade forte.

E é claro que já que entramos no assunto, vou ter que falar um pouquinho de estilo pessoal. É possível gostar de mudanças e ter estilo? Bem, claro! A verdade é que todo mundo tem estilo!

Estilo é identidade. É uma maneira de mostrar um jeito de ser. De existir. De exibir quem somos. O mais louco – e que talvez tenha gente querendo discordar de mim – é que não criamos nossa identidade do nada, é a partir do outro que moldamos quem somos e quem queremos ser, criando uma relação de pertencimento conforme vamos nos estabelecendo no mundo. Mas a melhor parte é que nada disso é estático!

Quem somos depende do nosso passado, mas também de quem queremos ser. Temos nossa identidade – que nunca para de se desenvolver e adaptar, podendo sempre mudar conforme a vida que levamos e escolhas que fazemos – quando conseguimos um emprego novo, ou passamos no vestibular, ou quando nos casamos nossa vida sofre mudanças e essas mudanças na rotina, no estilo de vida irão acabar alterando alguma coisa no nosso estilo pessoal, é inevitável! Podem discordar de mim, mas eu sempre achei que pessoas que estão sempre com a mesma cara são as que tem vidas mais chatas.

Mas por mais que a nossa vida mude, que a nossas roupas e nossas escolhas mudem tem uma coisa que nunca muda: o nosso passado. O que vivemos, nossas memórias. Podemos mudar atitudes e podemos mudar ambições, mas é impossível mudar o que já aconteceu. E isso está lá, memórias aparentemente silenciosas, mas que gritam a cada nova mudança! Se hoje quero ser princesa e amanhã roqueira, tudo bem. Isso não significa que a minha identidade mudou. Não significa que vou vestir uma fantasia.

Vou escolher um determinado look que reflita quem eu sou nesse momento, mas o conceito que EU tenho de princesa ou roqueira depende da minha identidade, da minha bagagem de memória e cultura. É por isso que por mais que meu cabelo ou minhas roupas estejam diferentes ainda serei eu ali e ainda será minha identidade – um pequeno aspecto dela – que eu decidi exibir para o mundo.



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