Publicado dia Abril 28, 2018

Eu tenho vinte e sete anos e preciso admitir uma coisa: eu nunca amei ninguém. Claro, amo minha mãe, meu pai, minha irmã, mas eu digo amor romântico. Amor que faz ter vontade de dividir a vida com outra pessoa, dividir seus sonhos e angústias e embarcar em suas loucuras. Claro que já me interessei por algumas pessoas. Já tive alguns relacionamentos, mas todos muito superficiais. Paixonite baseada praticamente exclusivamente em aparência, amizade que a gente faz força para virar algo mais…

Amor tem que ter companheirismo, amizade, zelo. Para amar é preciso estar disponível, sabe? Eu não me sinto assim. É estranho, mas na nossa sociedade você tem que ter um namorado. Ninguém quer ficar “solteirona”, “pra titia”. Mas talvez nem todo mundo tenha nascido para dividir a sua vida com outra pessoa. Talvez alguns só gostem de ficar sozinhos e se assustem com a ideia de ter alguém todos os dias na mesma cama.

Um dos muitos motivos de eu frequentar a psicóloga é tentar entender por que eu não consigo me relacionar verdadeiramente com as pessoas. Primeiro achei que era um defeito. Não consigo fazer amigos, simplesmente não consigo! O pessoal que já conheci na faculdade ficou só nisso “conhecidos da faculdade”, por mais que no momento fosse divertido, nunca marquei um rolê, eu nunca tive amigos, só colegas. Também nunca tive um relacionamento sério. Pelo menos, não que eu sentisse que era pra valer, sabe?

Não gosto de pessoas. Não gosto de conversar, dividir o meu tempo, simplesmente não gosto. A psiquiatra e a psicóloga tem um milhão de teorias sobre isso: é transtorno esquizoafetivo, depois é bipolaridade e aí pra completar ainda tem personalidade borderline. Sinceramente? A sensação que eu tenho é que elas só querem inventar problemas pra mim para continuarem me atendendo e me fazendo comprar remédios.

Eu sei que já tive crises terríveis, mas eu me sinto tão bem hoje que é difícil acreditar que eu sou “doente”. Se todo mundo é diferente, porque a minha diferença é uma doença? Eu sou intensa, oito ou oitenta. Sou antissocial e não gosto de fazer amigos nem desejo um namorado. Eu gosto da minha vida, gosto de não precisar dividí-la com ninguém, gosto do meu quarto, do meu bagunçado. Eu estou bem desse jeito.

Mas ninguém entende. Via de regra, o ser humano é um ser sociável (tipo The Sims) e quem não se enquadra nesse padrão precisa mudar. Precisa de terapia para entender porque não é “normal”.

Eu não quero ser normal, só quero ser eu. 

 



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