Publicado dia Março 30, 2013
Semanas atrás estava lendo um livro, sentada em uma praça qualquer, e, ao meu lado direito sentaram duas moças que conversavam ininterruptamente. Tentei me concentrar na leitura, porém, a conversa começou a despertar o meu interesse. Uma das meninas – mais jovem, aparentemente – chorava de soluçar. A outra tentava consolar: “Respira, amiga, ele é mais um cara que não te merece!”. A moça que soluçava – com os olhos borrados de lápis – berrou: “Esse é o problema, amiga! Ele é MAIS UM que não me merece! Como pode ser o 4º babaca só esse ano?!”. A amiga, na falta do que falar, ficou (sabiamente) em silêncio. “Eu me dedico tanto e quando eu encontro o amor da minha vida, ele é só mais um! Homem não presta!”, repetia sem parar a morena chorosa.
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Não sei qual foi o final da conversa. Me levantei, guardei na bolsa o livro já esquecido e voltei ao trabalho, me mordendo de vontade de sentar ao lado dela e fazer o que a amiga não fez: dar uma boa chacoalhada na chorona e mandar ela acordar para a vida!
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Primeiro porque não existe pior desculpa pro auto-conforto do que aquela que condena um gênero inteiro (geralmente o oposto) pelo fim de um relacionamento. Aproximadamente 7 bilhões de pessoas no mundo e nenhum homem presta? O problema não está no drama que a situação levantou dentro da moça recém-chutada: é comum sentir toda essa revolta quando tomamos um pé na bunda. Acontece que essa é uma frase que já entrou para o conceito social: “homem não presta”. Vivemos com um medo sub-humano de tomarmos um fora, sermos trocadas. Morremos de medo de nos machucar. E isso não é exclusivamente feminino, não! Vale para os homens também. Por isso, quando o mais temido acontece, gostamos de nos confortar tirando a culpa dos nossos próprios ombros. Não foi culpa dela e nem dele, que não lutaram pela relação: acabou porque homem não presta mesmo.
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A maioria de nós vem para a Terra com um propósito. Nascer, crescer, achar o outro pé de meia, se reproduzir e morrer – juntos, de preferência. Quem não quer encontrar aquele amor de novela, não é mesmo? Mas eu tenho uma novidade pra você: amor de novela não existe! Existe sim, aquele rapaz que te trata com respeito, te dá atenção, bastante carinho e faz você se sentir especial. Mas esse rapaz também chega atrasado, esquece de pentear o cabelo de vez em quando, não sabe a diferença de Mozart pra Beethoven. Tem uma pinta esquisita na perna, fala com sotaque quando fica nervoso e tem um chulé de matar. O mundo não deixou de ser romântico; nós é que esperamos uma vida de romantismo barato e irreal.
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E ainda que haja muita gente que não vale nem a segunda noite, o que há de ruim nisso? Deixemos de esperar um príncipe em qualquer esquina, então! Em vez de nos debulhar em lágrimas pela falta de homens que prestam, por que não aproveitar um pouquinho dos que não prestam? Amor fast-food é isso: vale pra encher a noite, satisfazer vontades. Rende um pouquinho de diversão, meia dúzia de conversa fiada, muitos sorrisos e um belo de um adeus.
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Há quem prefira uma dieta rigorosamente saudável. Mas, vez ou outra, uma aventurazinha ao melhor estilo fast-food pode valer mais do que uma vida de PF’s!
Por Amanda Inácio


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